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Daiane, de 18 anos, foi atacada por outras jovens no Centro Educacional 02 de Taguatinga; agressoras publicaram vídeo nas redes sociais com ofensas transfóbicas.

Uma confusão do lado de fora do Centro Educacional 02 de Taguatinga, conhecido como Centrão, no Distrito Federal, foi o desfecho de um caso de violência motivado por transfobia. Uma estudante transexual de 18 anos, aluna do 7º ano, foi agredida fisicamente e verbalmente nas dependências da própria escola.

Imagens registradas por celulares mostram o momento em que duas alunas brigam e um policial do batalhão escolar tenta separá-las. Em meio à confusão, uma terceira jovem se envolve e passa a agredir a vítima.

A estudante, identificada como Daiane, relatou os momentos de terror que viveu. Segundo ela, o ataque foi repentino e carregado de ódio. “Ela correu atrás de mim e pulou em cima de mim. E aí nisso, começaram as agressões e aí ela começou a falar ‘ó, traveco aqui apanha na cara’. Ela puxou muito meu cabelo e começou a desferir tapas no meu rosto”, contou a vítima.

A Polícia Militar, que já estava no local, encaminhou as envolvidas para a delegacia. Contudo, a violência não parou por aí. Horas após o registro da ocorrência, uma das agressoras publicou o vídeo do ataque em suas redes sociais, acompanhado de frases de cunho transfóbico, reforçando as ofensas ditas durante a agressão e afirmando que “travesti na escola não se criava”.

Posicionamento da escola e situação das agressoras

Os ataques ocorreram há cerca de uma semana. A direção do Centro Educacional 02 confirmou que uma das agressoras era aluna da instituição no dia da briga, mas informou que ela já foi transferida. A outra envolvida, que aparece no vídeo, já havia estudado no Centrão, mas não possuía matrícula ativa. Segundo a diretora, essa jovem entrou na escola vestindo o uniforme da própria unidade de ensino, acompanhada de uma aluna regularmente matriculada, e participou das agressões.

O Centrão atende jovens e adultos nos três turnos e, de acordo com a direção, cerca de 40 estudantes utilizam o nome social na instituição. A diretora ressaltou que a escola realiza um trabalho contínuo de acolhimento e respeito à identidade de gênero dos alunos. Foi esse ambiente, segundo a escola, que deu segurança para que Daiane decidisse retomar seus estudos após o episódio.

“Esse discurso de ‘eu não sabia, esse é o meu ponto de vista, você tem que respeitar’, isso não existe mais espaço. A gente precisa construir uma cultura de paz, mas não só da porta para fora, a gente precisa construir todo dia na escola”, declarou a diretora.

Aumento dos crimes de homotransfobia no DF

O caso de Daiane não é um fato isolado. Os registros de crimes relacionados à homotransfobia têm crescido no Distrito Federal. Dados apresentados na reportagem apontam que, em 2023, foram 342 registros. No ano seguinte, o número subiu para 362. No último ano, houve um salto para 405 casos, representando um aumento de 18,4% em dois anos.

Para especialistas, o combate a esse tipo de violência passa, fundamentalmente, pela educação e pela garantia de direitos. Uma especialista ouvida pela reportagem reforçou a necessidade de ações efetivas. “É muito importante a gente sempre reforçar o papel do Estado em fazer conscientização, letramento de gênero, identidade de gênero para a população, para as escolas, e que as pessoas trans e toda a comunidade LGBT tenha também a oportunidade de acessar os espaços, seja ele educacional, seja ele os banheiros públicos, o trabalho formal, o sistema de saúde”, concluiu.

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vandersonsamael@gmail.com

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