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De cada três pessoas transgênero vítimas de violência no Brasil, duas são mulheres trans. O dado faz parte de um estudo publicado na revista científica internacional Scientific Reports, realizado por pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP e de outras instituições do Brasil, de Portugal e da Espanha.
O estudo levou em conta casos de violência envolvendo pessoas trans no Brasil entre 2015 e 2023, registrados pelo Ministério da Saúde. Foram 45.715 casos notificados nesse período. Desse total, mais de 29.500, ou cerca de 65%, foram agressões praticadas por terceiros. Os demais foram casos de violência autoprovocada.
A violência física foi a modalidade mais frequente, somando cerca de 66% das notificações. Entre as vítimas, predominam adultos jovens, que representam 36% do total. Pessoas pardas somam cerca de 45%, e, em 23,6% dos casos, as vítimas tinham baixa escolaridade.
Segundo os pesquisadores, os dados fazem parte de uma sucessão de vulnerabilidades que pode começar no ambiente familiar, avançar para o escolar e afetar as possibilidades de trabalho e renda. Sem apoio e qualificação, muitas mulheres trans e travestis são empurradas para a informalidade ou para a prostituição, ficando mais expostas à violência física.
Os pesquisadores alertam que os casos são subnotificados, já que, em muitas situações, as vítimas não procuram os serviços de saúde ou a identidade de gênero não é registrada durante o atendimento.
