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O Brasil registrou 150 mil agressões contra a população em situação de rua em 10 anos. O número pode ser maior, porque muitos desses casos sequer são notificados ou chegam às autoridades. Os dados são do estudo “A cartografia invisível: 10 anos de violência contra a população em situação de rua”, divulgado com exclusividade à Agência Brasil pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
De acordo com o levantamento realizado com dados do SUS e do Disque 100, todos os dias pelo menos 120 casos graves de violência contra a população em situação de rua são reportados ao sistema de saúde. Em 75% dessas agressões, as lesões chegaram a demandar uma intervenção médica aguda, e 12% desses registros resultaram em um trauma físico grave ou em óbito. 70% das vítimas nunca buscaram atendimento após serem alvos de algum tipo de violência e isso ocorre, principalmente, devido a barreiras institucionais.
Os dados apontam, ainda, que as principais vítimas são homens jovens e negros. Pretos e pardos respondem por 78% dessas notificações, e jovens entre 15 e 49 anos concentram 82% do total de ataques. Embora a maior parte das vítimas seja de homens, a letalidade das agressões é maior quando são direcionadas a mulheres ou pessoas trans.
O ataque físico é a forma mais recorrente, respondendo por 65% dos casos notificados. Em seguida, destacam-se a violência psicológica (42%), a negligência e o abandono (18%), a violência sexual (15%) e a violência autoprovocada (10%). Em alguns estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, os indicadores de violência apontam para uma aceleração, com aumentos que variam entre 127% e 206%.
Acolhimento
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou à Agência Brasil que acompanha os casos de violência contra a população em situação de rua por meio do Observatório Nacional dos Direitos Humanos e da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. A pasta diz que lançou, em março deste ano, o programa Cidadania Pop-Rua, que reúne serviços de acolhimento, atendimento psicossocial, orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Reforçou que “a proteção e a garantia dos direitos da população em situação de rua são prioridades da pasta e qualquer forma de violência ou violação de direitos contra esse público deve ser combatida e denunciada”.
Fonte TV BRasil
